05/05/2009
SEAAC participa do Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho

O presidente do SEAAC de Araraquara, Ítalo Rampani, fez parte de uma delegação da FEAAC (composta também por representantes dos SEAACs de Marília, Santo André e Sorocaba) que participou da manifestação do “Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho” , no último dia 28 (veja fotos no site da FEAAC). O evento, organizado pela Secretaria de Saúde da Força Sindical São Paulo, reuniu cerca de mil trabalhadores de mais de 30 entidades sindicais de todo o Estado de São Paulo no teatro do Palácio do Trabalhador, Liberdade, sede da Força. A data, 28 de abril, teve origem em 1969, quando 78 mineiros morreram após explosão na mina de Farmington, no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos.
Na abertura do evento, o secretário de Saúde da Força São Paulo, João Scaboli, leu um manifesto de solidariedade às vítimas e aos familiares de acidentados no trabalho. “A cada 3 horas, acontece 1 morte no Brasil. A cada 15 minutos, cerca de 14 acidentes acontecem. É uma estatística preocupante e triste. Por mais que inúmeras pessoas estejam lutando para que esses números caiam, os acidentes que mutilam ou matam trabalhadores e trabalhadoras continuam acontecendo. Por isso nosso trabalho não pode parar”, disse Scaboli.

O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva, afirmou que, além das campanhas por aumento de salário, os sindicatos precisam sempre se preocupar com a saúde e a segurança do trabalhador. E lembrou do acordo liderado na década de 1990 pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo que obrigou todas as empresas a instalar botões manuais de segurança nas prensas que mutilavam as mãos dos trabalhadores.

Danilo Pereira da Silva, presidente da Força São Paulo, também ressaltou o trabalho desenvolvido pelos sindicatos nas ações de prevenção de acidentes e doenças do trabalho. Mas pediu o estabelecimento de tarefas e desafios nessa área. “Temos que exigir que o INSS mova ações regressivas contra os responsáveis pelos acidentes e doenças para que esse mal deixe de existir”, desafiou Danilo.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, ressaltou a importância da formação de cipeiros (membros das comissões de prevenção de acidentes) e proclamou: “Os sindicatos fizeram a diferença”.

As palestras "Os impactos de crise econômica sobre a Saúde dos Trabalhadores", do Dr. Koshiro Otani, Coordenador do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de São Paulo, e "Sofrimento e Prazer no Trabalho: a relação entre Saúde Mental e trabalho", do professor Dr. Seiji Uchida da FGV, fecharam com chave de ouro o evento.

Otani argumentou que, sem um trabalho decente, digno, com liberdade, o ser humano sofre desgaste emocional que levam a transtornos psicossomáticos, ao alcoolismo e a dependência de drogas. E lembrou que o Estado tem o dever de oferecer proteção social e serviços públicos de qualidade. “Isso é um direito do cidadão”, disse ele.

Otani pediu que os sindicatos lancem imediatamente uma campanha e cobrem do Congresso a aprovação do projeto que regulamenta o SUS (Serviço Único de Saúde),e que está há dois anos para ser votado. Ele informou que hoje a dotação do SUS é de míseros R$ 0,80 por consulta por pessoa e que esse valor precisa ser aumentado. “O Estado tem que investir na atenção básica de saúde”, defendeu.
Já o Dr. Uchida, que é psicólogo, falou das pesquisas que tem feito na FGV sobre os impactos psíquicos que as novas tecnologias, a automação, a robotização e a informatização causaram na vida das pessoas. Para ele, tudo isso mudou a concepção de tempo dos seres humanos. Uchida explicou ainda como esse novo mundo ajuda na acumulação de capital de uma minoria.

Com informações da Força Sindical Estadual